segunda-feira, abril 23, 2018
ausência...
não sou ausência de ninguém, nem de mim, sou presença andante por entre cada um, em cada promessa sem ensaios
na saudade que me abraça muitas vezes sigo a sombra da penumbra e deixo-me deslumbrar com os pensamentos que se libertam
as noites são selvagens e mágicas, o cansaço é o rigor dos lamentos, são fugas de lágrimas calmas que regam o dia em gestos.
sigo os perfumes que me encantam e embalam, enrolo-me nas cores onde sei que existes entre ruínas pessimistas que deixaram marcas sofredoras
não, não sou ausência, escuto-te na coragem da minha presença.
helena maltez
terça-feira, abril 17, 2018
a colheita da hora
equilíbrio nomes,
aromas, datas vestidas
marcas leves
estruturas cimentadas.
foi imagem distorcida,
emoção suspensa,
ideias místicas.
és gesto de silêncio,
na sombra de tantos invernos
rosto frio de um janeiro denso
cruzado no mar de todas as horas
onde desprendo o olhar.
até ao fim da confluência da mistura dos azuis
porque existimos
porque as distâncias são tantas
porque não somos ausência
porque as horas que soam são nossas
porque há sombras
porque somes abrigo
porque...
porque digo:
quinta-feira, abril 12, 2018
sabor limitada
veio com os sonhos de um ontem,
sonhos desejados e concretizados.
a felicidade despertou,
envolvida em loucura
e encheu o impossível,
num leito emoldurado.
foi um descobrir, sem asas
sem amarras
com a realidade onde a saudade tinha um verbo.
terça-feira, abril 10, 2018
um hoje...
hoje a chuva foi manta do dia.
escondeu o sol
e em cada janela tocou uma melodia ritmada,
as árvores foram abrigo da passarada
e eu embalava o dia sem luz..
cresciam imagens silenciosas.
encobrias as imagens com os teus gestos,
enquanto recordava as tuas palavras
enroladas às minhas.
o vento corria incerto,
levava nas costas as folhas caídas
não deixava ouvir as vozes
e turvava as visões.
ficaram os nossos sonhos com nomes
helena maltez
domingo, abril 08, 2018
sonhar...
adormeço num lado solitário da noite
há lágrimas no caminho, onde a noite cresce…
no mistério dos sonhos
é a tua voz que escuto,
no mar que nos separa.
o luar dança taciturno na esperança…
helena maltez
momentos nossos
mas precisava de um dia delicioso:
à beira mar com o primeiro café da manhã.
acompanhado da amizade,
felicidade,
ternura,
um pouco de carinho,
alegria
e muito amor
tudo bem misturado, para partilhar contigo...
helena maltez
sábado, outubro 24, 2015
conjugam-se os silêncios
na distracção da noite
helena maltez
sexta-feira, outubro 16, 2015
separa-nos um vento....
deixa as árvores despidas
nos caminhos um manto de muitas cores
a impaciência de cada passo indecifrável
há desinteresse naquele caminhar,
rostos cruzam-se fechados
sem vida, sem essência
o vento é brisa suave que acaricia
suave fusão das palavras perfeitas,
sem contornos, com destino e loucura
e o amor entre loucuras de noites inteiras
terça-feira, setembro 29, 2015
transparências...
há felicidade dentro de mim
consigo dividi-la em várias prateleira da vida
tento voar em todas as caminhadas,
voar como se os meus pés tivessem asas
essa ausência é a força de um recordar
é a serenata do Bolero de Ravel
como um fruto agridoce, rasgado no desejo
tempo após tempo, de uma brisa suave
hoje ouvi o sussurro da tua voz
longe de um entardecer tão nosso
e o vento trouxe a minha felicidade
cantada com a verdadeira sobrevivência
de um sorriso recuperado.
existe a transparência interditada...
sexta-feira, agosto 10, 2012
sobraram horas geradas no ventre da noite,
quarta-feira, junho 20, 2012
sentado com os meus pensamentos na pedra cinzenta e gasta
A sobrevivência
irónico, cínico, passou ao lado do esquecimento
à idade espera-a sentada
mergulha na eternidade
bloqueado pela cor intensa
e pelo calor que arde no corpo
gestos de espanto renascem
a cada expressão no remexer das trevas
um espaço todo para olhar
uma voz pausada que ecoa
na casa crispada onde o cheiro
álcool rutila as paredes da sala vazia
longínquo, o coração mergulha
invisível ao equilíbrio da liberdade
no pavor afasta a certeza
no corpo apenas o bailado
que o coloca de pé, com a dança do vento
l. maltez
quinta-feira, maio 03, 2012
há um olhar baço
sábado, março 17, 2012
horas mascaradas…

deixo a solidão acordada, vagarosamente sinto-me vestida da tua pele.
no teu olhar a máscara das horas,
a cumplicidade de um mar,
as nossas vozes envelhecidas, numa paixão desgastada
num dia
ficou o deserto,
a loucura…
uma sede roubada,
um não, sem sentido.
já não há palavras sem medos,
ou até um corpo com raízes de afetos…
os espaços estão vazios
na duplicidade insegura
ficou a ilusão do mar, sem navegar em nós!
helena maltez
sábado, novembro 05, 2011
de mim para ti... chegada de um outono

queria sorrir aos aromas,
aos caminhos matizados
deter-me no contagio
indefinido dos espaço amarelecidos
queria que me cingisses
através das tuas cores,
entrar no frio, mas adiaste a chegada…
sim, queria aquecer os meus lábios
com o mosto quente acabado de apanhar
absorta esperei a entrada do outono
enquanto contemplava o mar encorpado, aliar-se ao vento
apareces-te tarde e depressa abalas-te
não senti o teu cheiro
e as folhas caíram cinzentas
não se tingiram de dourado…
fiquei sem entender o teu cantar
outono preguiçoso,
conseguis-te desprezar os meus sonhos…
helena maltez
quinta-feira, setembro 22, 2011
de mim para ti...

desafio as sombras no silêncio de mais uma noite
há versos nos meus dedos
que se diluem no tempo...
completo-me na tua imagem
nos sentires de uma eloquência...
há o ontem, o hoje
e
expressões sem rosto
de um amanhã
o azul é o imago da firmeza
ou o começo das tuas cores,
abre-se imprecisa a fenda
e no sóbrio fulgor do amanhã
é o mar que me abraça
há em nós um renovado dia….
helena maltez
quarta-feira, março 23, 2011
ser árvore...

sonho a certeza do sentido
esboço o resultado e não passo de uma amálgama.
as raízes prendem-me à terra
não falam, mas empurram-me nas sombras.
sustenho o grito, crescem-me os braços,
há dor nesse silêncio de tantas luas
o sangue pesa-me no corpo
fervilha como cal ardente,
é o rebentar das folhas.
cobrem-se os galhos.
não se adiam os dias
que perseguem o engrossar do tronco
puxam-me as origens
na alegria de ser árvore,
o abrigo permanente de friorentas aves
onde a beleza impera na plenitude do crescer.
rejuvenesço no principio das manhãs
de um Março que embarga nova primavera…
helena maltez
sexta-feira, junho 04, 2010
caía cacimbo...

no acalento da manhã
o cacimbo caía.
eram horas de levantar,
mais um dia meio vestido
sem gestos, apático e incontornável
corria o tempo apressado,
na rua desnudada.
a saudade, saltava em cada trilho.
deambulava o corpo cansado,
entre emoções,
revivendo amores secretos,
e as mãos entrelaçadas
deixaram de sentir.
pássaros saboreavam goiabas
no quintal vizinho,
onde tantas vezes galguei.
sem noção, olhava o infinito
brotavam da memória os amigos,
a base do meu chão.
repetiam-se os rostos
mergulhados na suavidade das acácias
e vi-te na transparência do sonho,
devolvias-me o teu sorriso
na solidão do silêncio…
helena maltez
terça-feira, março 09, 2010
mulher!

germinada de outra mulher
acordas num grito aflito,
terno e doce.
és rebento ansioso
no momento nascituro.
cresces e és encanto.
mais tarde sedução,
esperança intensa
na chama da razão.
mulher…
assim te chamam
em qualquer trilho da vida.
és voo, ritmo infindo,
razão de viver.
segues em frente e inabalável
no caminhar da perfeição.
destemida lutas
pela tua liberdade.
mulher não és gente displicente
mas guerrilheira,
inspiração ,
coragem e bravura.
mulher tu és poesia
no reforço de cada verso.
helena maltez
sábado, janeiro 23, 2010
a tua sede
sequioso queimas a boca
com palavras meias loucas
e suportas o folgo ardente
da mão inundada e listrada
a manhã apaga-se nos passos
do silêncio único da tua presença.
no rosto, a sombra triste e frágil
esboçada na ânsia do sono.
a sede é tua.
quebras o gelo das palavras que cantam
no eco de um tempo sem nomes.
aceitas a imagem desfocada
de um corpo indefeso
e a música grita no teu peito,
enquanto neva no inferno da tua alma
então matas a sede com o sangue
que brota de um coração desgastado
helena maltez
domingo, dezembro 27, 2009
natal...
ruas iluminadas
e
casas decoradas, fascinantes
barulhos de crianças, entre risos de
satisfação na algazarra natural
do abrir presentes,
as mesas fartas
e os cantares são melodiosos
é dia de Natal…
na viela, do fim da rua
da cidade iluminada,
o mar agita-se
e o vento feroz tudo desmorona
está frio e vai chover.
abrigado em metades de papelão
está um homem
sozinho,
um pão nas mãos crespadas
e um copo de café fumegante.
alguém passou
e foi o que lhe deixou…
o homem não sabe que é Natal!
helena maltez
helena maltez
abril desfolhado a tela já não é sinfonia nem as aves gritam como qualquer papoila num campo distante não há forças para sonhar ...
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sem ocupar lugar rasga caminhos, tem raízes nos sonhos colhe da palavra a verdade e semeia-a nos recortes dos dias sensível aos prazeres no ...
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